quarta-feira, 16 de setembro de 2009

As palavras de Nicolau Santos e Isabel Rodrigues brilharam no lançamento do meu livro


A apresentação do meu livro foi feita pelas palavras de Nicolau Santos (director adjunto do Expresso) e de Isabel Rodrigues (médica, doutorada em Psicologia e 'principal' da Heidrick & Struggles, onde faz coach a executivos/as).
Partilho aqui um excerto do magnífico texto do Nicolau Santos:

"Confesso que aceitei o gentil e honroso convite da Rosália Amorim com algum receio: um livro com o título «O homem certo para gerir uma empresa é uma mulher» prometia, à partida, ser um repositório das magníficas teorias de superioridade das mulheres sobre os homens e uma longa catilinária de queixumes contra os famosos tectos de vidro que permitiram que 25 executivas em Portugal tenham chegado ao topo de grandes companhias mas que 250, 2.500 ou mesmo dois milhões e meio de bravas mulheres lusitanas não tenham conseguido atingir ainda esse mesmo desiderato.

Ora eu que trabalho com mulheres nas redacções há muitos anos; que considero muitas delas como das melhores profissionais que existem no sector; que escolhi, nos órgãos de comunicação social por onde passei, várias delas para editoras; que acho que as equipas mistas são muito mais ricas que as unissexo – tenho muito pouca paciência, confesso, para o politicamente correcto, para o fado da desgraçadinha, em que os sectores feministas se comprazem e nos mantém a nós, homens, sempre prisioneiros de um sentimento de culpa perante o género feminino.

Erro meu, claro. Conhecendo a Rosália, que é casada e tem dois filhos, o que não a impede de apresentar já um currículo profissional cheio de sucessos e de ter escrito este livro, a que certamente outros se seguirão, seria muito surpreendente se ela enveredasse por esse caminho. E mais surpreendente seria que as 25 mulheres que relatam as suas experiências neste livro e atingiram o topo viessem fazer um tal discurso. Ainda se o objecto do livro fosse sobre todas as outras mulheres que ainda não são presidentes de empresas…

Depois de o ler, confesso que o livro me surpreendeu muito positivamente. É claro que há várias referências às dificuldades de ascensão profissional por razões sexistas e exemplos que os concretizam. E estudos que demonstram que as empresas com três ou mais mulheres no conselho de administração têm um retorno muito superior por acção a empresas geridas só por homens. E outros que mostram que as mulheres têm desempenhos superiores aos homens. Mal seria que nós, homens, não tivéssemos de ler de novo que o verdadeiro sexo forte é feminino e não masculino.

Mas depois vamos lendo o discurso das 25 executivas, algumas que tenho privilégio de conhecer pessoalmente, e a tristíssima história do gineceu lusitano sofre fortes rombos na sua argumentação. Maria da Glória Ribeiro, por exemplo, diz que acontece muitas vezes uma mulher ser preferida, sublinho, preferida, em detrimento de um homem quando a empresa procura um agente de mudança. Fátima Barros, que tem feito um magnífico trabalho à frente da Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais da Universidade Católica, diz que quando foi convidada para o cargo não pensava nisso e ia caindo para o lado. Mas acrescenta lapidarmente: «É a prova de que o reitor não me discriminou por ser mulher».

Quem também não se deixa discriminar nem intimidar é Esmeralda Dourado. Conta, aliás uma história notável que mostra a sua capacidade de liderança e gestão. Há alguns anos foi com um grupo à Amazónia. Foram deixados numa casa isolada no meio do pantanal, devendo ser recolhidos uma semana depois. Acontece que ao terceiro dia o frigorífico pifou e não houve outro remédio se não irem pescar. Vinha um gordo peixe a caminho, preso na linha da cana de pesca de um membro do grupo, quando um jacaré se atirou ao peixe tentando comê-lo. Esmeralda Dourado não hesitou. Entrou pela água adentro e com uma sapatada fez recuar o réptil, conseguindo apanhar o peixe.

Lídia Sequeira, que conheço e muito admiro, diz que o segredo de uma mulher que chega ao topo é não se deixar intimidar. Quem a conhece, sabe que é isso mesmo que ela faz – e quem fica intimidado são os homens que com ela têm de lidar. E é muito bom ouvir dizer a Helen Gray de Castro, 63 anos, com uma longa carreira internacional, que nunca sentiu qualquer discriminação por ser mulher. Isabel Vaz acrescenta: «não consigo dar um único exemplo da minha vida em que me tenha sentido discriminada». E Vera Nobre da Costa, que não tem papas na língua nem alinha em choradinhos, diz que «as pessoas têm de mostrar aquilo que valem e sobreviver pelos seus próprios meios, seja lá onde for». Ora aí está um bom princípio para acabarmos com o fado da desgraçadinha.

Aliás, as entrevistadas são tão francas que chegam ao ponto de admitir que as mulheres não são perfeitas, coisa que nós, homens, pensávamos que eram. Isabel Vaz, uma verdadeira força da Natureza (basta estar ao pé dela para sentir o seu carisma e capacidade de liderança), admite: «Eles são muito mais directos a comunicar entre si, enquanto as mulheres vão dando umas indirectas até o saco encher e explodir com um protesto claro». Teresa Cochito corrobora: na comunicação «as mulheres são menos directas, os homens mais focados e directos e isso é visível na relação entre eles». Teresa Calçada Bastos acrescenta: «nós parimos o mundo, somos empreendedoras e estamos habituadas a fazer várias coisas ao mesmo tempo. Mas isso não quer dizer que sejamos boas em tudo».

Sejamos pragmáticos: se as raparigas têm mais sucesso escolar que os rapazes, se estão em maior número entre os licenciados e os assistentes, se são melhores alunas, é só uma questão de tempo (uma década a década e meia) para termos muito mais lugares de topo preenchidos por mulheres. Por isso, a questão das quotas para mulheres não merece unanimidade. Subscrevo o que diz Vera Nobre da Costa: «Acho que é inconcebível e caricato. As pessoas têm de ir pela sua competência. A protecção das mulheres acaba por se tornar o seu próprio inferno». E Susana Carvalho acrescenta que «se a mulher é competente, faz e chega lá».

E a cereja em cima do bolo chega com as opiniões sobre as vantagens das mulheres quando nadam no meio dos tubarões. Rosalina Machado admito que, se fosse homem e tivesse feito o trajecto que fez, seria apenas mais um e não teria a visibilidade que tem. «Vamos assumir isto da vantagem da minoria», diz. E Teresa Cochito acrescenta: «a mulher usufrui do factor surpresa quando entra numa sala repleta de homens executivos e tem a vantagem de pertencer a uma minoria que dá nas vistas».

Esta foi a leitura de um homem sobre um livro que conta as experiências de 25 mulheres que chegaram ao topo.É a leitura de quem aprendeu muito com este livro e ficou a perceber um bocadinho melhor o fascinante mundo feminino.

Por isso, Rosália, os meus parabéns.

O evento de lançamento do livro foi um êxito


O lançamento do meu livro surpreendeu-me pela positiva, ou seja, pela quantidade de amigos que partilharam comigo este momento de alegria e realização e também pelo número de gestores e gestoras (muitas visadas na obra) que ali estiveram a dar o seu apoio.
Mais de 100 pessoas encheram a sala (e o corredor) da Fnac do Chiado. De tal forma que a centena de livros que estava ali disponível esgotou.
Os media (fotógrafos, jornalistas e operador de câmara) também compareceram, registando um evento de partilha de experiências entre as mulheres que lideram grandes empresas em Portugal.
Assim, ouvindo e conhecendo as práticas de liderança, gestão e carreira de 25 das executivas nacionais, decidi dar o meu testemunho e fazer a minha reflexão sobre o papel da mulher enquanto líder de equipas de grandes organizações.
Não quero com isto dizer (apesar do título do livro) que todas são perfeitas para desempenhar cargos de topo, mas há competências que vale a pena identificar, explorar e valorizar.

domingo, 6 de setembro de 2009

Lançamento do meu livro: 14 de Setembro, 19 horas, Fnac do Chiado.
Apresentação: Nicolau Santos e Isabel Rodrigues

Título : "O Homem Certo para Gerir uma Empresa é uma Mulher, Lições de 25 executivas que mandam nas grandes companhias em Portugal."
Prefácio: Isabel Rodrigues (médica, doutorada em Psicologia, em Londres, e "principal" da Heidrick & Struggles")
Temas abordados: Como chegar ao topo, conciliar carreira e família e ultrapassar crises.
Edição: Prime Books, Setembro 2009

Missão: Este livro apoia a Ajuda de Mãe (na foto acima, Rosália Amorim e Madalena Teixeira Duarte, presidente da Ajuda de Mãe, que tanto tem lutado por esta causa) com as suas receitas. Sendo um livro, acima de tudo, sobre mulheres achei que faria todo o sentido apoiar outras senhoras que lutam com obstáculos difíceis de transpor- que não os do mundo executivo - e que precisam de ajuda. Sei que é um apoio modesto, mas é um dos que está ao meu alcance, enquanto autora. Todos os esforços são bem-vindos. Se quiserem juntar-se a esta causa contactem a instituição: 21 382 78 50, ou via mail: ajudademae@ajudademae.com